Reis Peregrinos

janeiro 05, 2024

 


"Os três reis quando souberam / Viajaram sem parar / Cada um trouxe um presente / Pro menino Deus saudar."

A Folia de Reis é uma das manifestações culturais mais tradicionais do Brasil e desde 2017 foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais. A festa  - herança cultural portuguesa - acontece no dia 6 de janeiro  em louvor aos Três Reis Magos: Baltazar, Melchior e Gaspar,  e celebra o dia em que os três reis magos (representando toda a humanidade) visitaram e presentearam o recém-nascido menino Jesus. Na visita, cada rei trouxe um presente — ouro, incenso e mirra.

Em Portugal a festa é marcada por cantorias, visitas de casa em casa acompanhadas de vinhos, doces e outras iguarias. Pelo interior do  Brasil a festa ganhou cortejos com foliões e os reis magos acompanhados por músicos e dançarinos com roupas coloridas, fitas e estandartes, percorrendo as ruas das cidades, de porta em porta, fazendo louvações e recebendo presentes e quitandas dos donos das casas e fazendas  visitadas.  


E qual é o doce mais emblemático dessa festa? O Bolo de Reis, é claro! Abro aqui um parênteses: na verdade é um pão doce e não um bolo, mas hoje em dia encontramos muitos bolos também. O doce de origem romana - lá no festival da Saturnália - chegou em Portugal pelas mãos de um confeiteiro francês no século XIX (a primeira casa que vendeu este bolo foi a Confeitaria Nacional de Lisboa), inspirado na receita do Gâteau des Rois, um brioche de massa leve e perfumada que  adaptou-se ao gosto e ao fazer português, decorado com frutas cristalizadas, castanhas e uma nuvem de açúcar branquinho, simbolizando as joias da coroa e os presentes dos Reis Magos. Ele é diferente da Gallete des Rois, uma deliciosa torta de massa folhada com creme de amêndoas, também comemorativa para a data. Em ambos escondem-se pequenas figuras em porcelana ou medalhas (sempre bom avisar para comer com cuidado e não termos pequenos acidentes por aí)  e uma fava. A pessoa que comer a fatia premiada com a figura é rei por um dia e ganha uma coroa que acompanha o doce. Quem tira a fava é o responsável por fazer a iguaria no próximo ano.

Na tradição espanhola, o “Dia de los Reyes Magos” ainda é celebrado por grande parte da população e é neste dia que as crianças recebem os presentes  de Natal, porque de acordo com a tradição cristã, são os Reis Magos que trazem as presentes para as crianças, assim como os levaram a Belém.  A Rosca de Reyes espanhola é recheada com creme e também está presente nas mesas nesse dia.




Já na Itália a Epifania é celebrada com a Festa della Befana. Conta a lenda que uma simpática velhinha – uma bruxa boa, personificação da mãe natureza - ajuda os Reis Magos a encontrarem o caminho certo para Belém. Agradecidos com a informação, eles a convidaram para seguir viagem junto com eles. Ela não aceitou, mas se arrependeu mais tarde e, sem saber quem era o menino iluminado que havia nascido, saiu distribuindo presentes nas portas de diversas casas, na esperança de um dia presentear o menino Jesus.  É claro que aqui temos guloseimas envolvidas novamente. As crianças boas ganham um doce e as desobedientes ganham o carbone della Befana, uma espécie de caramelo que imita um carvão.

Outra tradição da receita portuguesa é usar raspas de casca de laranja e Vinho do Porto na massa. Claro que a harmonização com a receita pronta também é perfeita, principalmente com o Porto Tawny. 


Receita? Temos:

4 xícaras de chá de farinha de trigo
2 tabletes de fermento biológico fresco
1 xícara de chá de açúcar
1/2 xícara de chá de leite
3 ovos
2 colheres de sopa de manteiga
3 colheres de sopa de vinho do Porto
1 colher de sopa de de raspas de casca de laranja
2 xícaras de uva-passa, castanhas e frutas cristalizadas para o recheio
2 xícaras de frutas glaceadas (ou em calda bem escorridas) para a decoração (cerejas ao marrasquino ficam particularmente lindas e deliciosas)
1/2 xícara de açúcar de confeiteiro para polvilhar

Misture o fermento com duas colheres de sopa de açúcar e o leite morno. Cubra e deixe crescer por 15 minutos. Em uma tigela misture a farinha de trigo com o restante do açúcar. Em outra vasilha misture os ovos, manteiga, vinho do Porto e as raspas de laranja. Coloque os líquidos nos secos e misture. Acrescente o fermento crescido e sove a massa por cinco minutos. Acrescente as frutas e castanhas do recheio e misture delicadamente.  

Coloque essa massa em uma tigela, cubra e deixe descansar por uma hora. Em seguida modele a massa do jeito que preferir, formando uma rosca e coloque em assadeira untada e enfarinhada. Deixe crescer mais 30 minutos. Distribua as frutas da cobertura e pressione-as levemente sobre a massa. Pincele com um ovo batido e leve ao forno médio pré-aquecido por cerca de 40 minutos ou até que esteja dourada. 

Coloque em um prato bem bonito e polvilhe o açúcar de confeiteiro com o auxílio de uma peneira fina. Se quiser, coloque mais frutas ao redor.

Deixo ainda outra bela tradição desse dia que é a Benção da Epifania nas portas das casas (veja aqui como deve ser feita), para termos proteção e indicar que ali também habita o menino Jesus. E aí? Convenci vocês a celebrar esses reis peregrinos?


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