Theobroma, o alimento dos deuses amazônicos

março 04, 2024

Páscoa chegando, remake da novela Renascer rodando e eu aqui pensando: o que eu poderia escrever sobre o cacau ou o chocolate que possa ter algo de novo ou inusitado? Uma das coisas que eu acho bem interessante sobre esse fruto é que, apesar do cultivo e domesticação ter ocorrido pelas mãos dos povos originários da América Central e México (de onde também veio a palavra chocolate), o cacau é uma fruta amazônica! Sim, meus amores, a floresta é a mãe do Theobroma cacao, esse alimento dos deuses. 

"Não se sabe ao certo como o cacaueiro, nativo da Amazônia, chegou até a região central das Américas, porém ali se tornou parte integrante da cultura e da economia, ao ponto em que suas sementes eram usadas como moeda, tendo sido uma das mais valiosas commodities entre povos pré-colombianos." (fsp.usp.br)

Enquanto maias e astecas faziam bebidas naturais e amargas a partir do fruto, os colonizadores espanhóis passaram a acrescentar açúcar, especiarias e castanhas à mistura. Daí para cair no gosto da Europa todinha foi um segundo, mas seu consumo era um privilégio da realeza (quem assistiu a última versão de Wonka, lembrou de algumas cenas agora). Nutritivo, medicinal e afrodisíaco, foi no séc. XIX que a bebida virou uma barra, primeiro por mãos inglesas e depois aperfeiçoada pelos suíços. 


Tem muita gente que nunca pegou um fruto de cacau nas mãos. Só viu em foto ou dele só conhece o chocolate em suas diversas formas. Pois bem, não é uma fruto tão difícil de se encontrar fresco nos bons mercados. Mas você saberia o que fazer com ele? Com a polpa é possível fazer suco e geleia, mas o seu sabor está longe de lembrar o do chocolate. Esse vem da semente ou castanha que precisa passar por processos de fermentação, secagem, torra, etc. Dá pra fazer em casa? Até dá, mas é beeem trabalhoso. 

Mas vamos ao inusitado: o cacau tem 22 irmãos amazônicos, todos da família Theobroma e que produzem frutos com valor comercial, embora só quatro sejam cultivados com essa finalidade. O mais conhecido é o Theobroma grandiflorum, também carinhosamente chamado de cupuaçu, fruta que esta autora ama de paixão. Recentemente foi descoberto que os indígenas domesticaram o cupuaçú a partir de outra espécie, o cupuí, selecionando apenas as que tinham mais polpa e frutas maiores (leia aqui sobre essa pesquisa). De suas sementes também se faz um tipo de chocolate - o cupulate - mas é na polpa que está toda a explosão de sabores que mistura doce com cítrico de um jeito que eu acho mágico. E é aqui que começa a nossa brincadeira: misturando os dois!


Derreta 300 gramas de chocolate branco (meu desdém pra quem diz que chocolate branco não é chocolate...), ferva 240 gramas de polpa de cupuaçú e misture bem os dois. Sirva essa calda cremosa por cima de um brownie ou sorvete de chocolate meio amargo. Finalize com castanha do pará picada e nibs de cacau. Delicinha! 










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